Cidade Negra, A-ha e Katy Perry, encerram o Rock in Rio Brasil 2015; festival volta em 2017


Chegou ao final, a edição comemorativa de 30 anos do maior festival de música do mundo, o Rock in Rio. Sob uma forte chuva, o público acompanhou grandes shows, no encerramento da edição 2015 do festival.


Os destaques, ficaram para Cidade Negra, A-ha, e Katy Perry, fechando a noite. Diretamente da Noruega, o A-ha, mostrou ao público presente, como era o sucesso deles, na década de 80.  A década que mais desperta nostalgia no público brasileiro, lembrada por Lulu Santos um dia antes, foi revista de forma exemplar pela banda, que para isso precisou encarar a chuva, o som baixo e uma plateia repleta de adolescentes.

Apesar da chuva, o show teve seus grandes momentos. O primeiro deles logo de saída, quando a banda surgiu tocando "I've Been Losing You", com o verso mais propício possível: "It wasn't the rain that washed away" ("não foi a chuva que levou embora", em livre tradução). "Vocês estão molhados?", brincou o tecladista Magne Furuholmen, antes de entrar na clássica "Crying in the Rain", famoso cover dos Everly Brothers.

A aula de arranjo e composição pop do A-ha incluiu "You Are the One", "Hunting High and Low" e o grand finale com "Take on Me", que reverberou na Cidade do Rock, com seus teclados mais anos 1980 que os próprios anos 1980.

Mas isso não significa viver apenas do passado. Houve ainda espaço para faixas recentes, como "Forest Fire" e "Under the Makeup", que reproduzem com fidelidade o estilo que a banda adotou no início da década de 1990, um synthpop mais moderno e com certo balanço.

O A-ha chegou a afirmar que a reunião recente da banda fora motivada pela possibilidade de tocar no Rock in Rio, onde esteve em 1991. E ainda hoje poderiam dar aula de arranjo e composição pop --incluindo aí a pupila e fã Katy Perry.

Quem também fez bonito, e um pouco antes do A-ha, foi o Cidade Negra. O grupo levou reggae e discurso político ao Rock in Rio 2015. "Está tudo bem aqui dentro, mas está muito ruim aí fora. Se você está puto com tudo que está acontecendo, dê um grito", disse o vocalista Toni Garrido, durante "Pensamento", sem nomear o alvo da reclamação. Foi atendido de imediato, mas, diferente dos dias anteriores, o público não emendou com xingamentos.

Após o recado, a banda celebrou a Jamaica e invadiu a Cidade do Rock com as cores e o som daquele país no palco. Com "Downtown", "A Sombra da Maldade" e "Vamos Fugir", cover de Gilberto Gil, o grupo mostrou que seus maiores hits, em sua maioria dos anos 1990, ainda têm força. Com o público embarcado na proposta, Toni Garrido chegou a convidar a atração principal da noite para curtir o show. "Katy Perry, vem dançar um reggae", brincou.

"Girassol" e "Onde Você Mora" foram acompanhadas pelo público com os braços para cima, seguindo à risca a sugestão de Roberta Medina de que as bandas precisam focar nos sucessos para "jogar pra galera" do festival. No entanto, abriam exceção para tocar uma canção inédita, "Paz, Amor e Amizade". "Sei que vocês querem ouvir os sucessos, mas seria muito importante para nós tocá-la".

Mesmo sem estar no auge, a banda mostrou estar bem, embora tenha sofrido com o microfone baixo de Toni e o vento forte que tomou a Cidade do Rock, fazendo fechar até a disputada tirolesa. 

Entretanto, a chuva não desanimou a banda. O fato de o Cidade Negra ser o primeiro grupo brasileiro de reggae a tocar no Palco Mundo, foi celebrado por Toni e pelos fãs do gênero. "Não tem quem não goste de reggae, é só dar uma chance para ouvir e entender que ele fala do cotidiano das pessoas", comentou o locutor Paulo Pereira, 36, que assistia ao show. "E o Cidade Negra, que faz o reggae pop, consegue se comunicar com essas pessoas".

Após os sucessos de Cidade Negra e A-ha, veio a grande atração da noite, a cantora Katy Perry, fazendo o seu segundo show no Rock in Rio Brasil - ela veio pela primeira vez em 2011, quando também subiu ao palco da edição brasileira, a cantora Rihanna.

A cantora se mostrou bastante animada por voltar ao festival, cintilando em cores neon, pulando corda e trocando de figurinos em atos grandiosos. A cantora faz de sua nova turnê, a "Prismatic Tour", um grande circo, mais moderno do que a anterior, mas ainda milimetricamente coreografado.

Teve cavalo mecânico articulado em "Dark Horse", dançarinos vestidos de gatos que sapateavam em "Hot N Cold", e emojis infláveis sob a plateia em "This is How We Do". Tudo é muito pop, e, como dizem, "tendência". Sabendo disso, ela até desfila em versão felina cantando "Vogue", de Madonna.

E não parou por aí, o show da cantora. Até na hora de escolher um fã para subir no palco, Katy seguiu a mesmo piada que fez no show em São Paulo, no dia anterior. Perguntou para a fã Rayane como se falava "pizza" e "selfie" em português. Enquanto a fã aproveitava para beijar o pescoço da diva, a cantora fazia graça ao tentar falar o nome da garota: "Rayayaya".

Com grandes alegorias no palco, a apresentação da cantora, no entanto, era quase infantil e adocicada. Diferente da concorrente --e amiga-- Rihanna, que fechou a noite anterior, não houve muito espaço para sensualidade, mesmo ao cantar "I Kissed a Girl".

Katy abriu o show com "Roar", grande sucesso de seu último álbum, "Prism" (2013), e assim como o rugido do refrão, veio também uma onda de gritos de crianças e adolescentes. Foi o dia em que os pequenos invadiram a Cidade do Rock. Os pais pouparam as cordas vocais, mas pulavam junto na mesma intensidade. "Todo mundo que diz ser amante da música deveria aprender com vocês. Vocês têm algo realmente especial", agradou Katy.

É bom lembrar que o Rock in Rio volta em 2017, novamente, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro.

Veja abaixo, o show completo da Katy Perry, no Rock in Rio 2015:

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