Sexta edição do “The Voice Brasil” termina nesta quinta e fica uma pergunta no ar: porque nenhum vencedor faz sucesso?


Porque nenhum vencedor do “The Voice Brasil” faz sucesso? 


Antes de chegar até a resposta da pergunta, vamos lá...


A sexta edição do “The Voice Brasil” termina nesta quinta (21), e até agora, nenhum artista vencedor da atração da Globo, fez sucesso. Desde a primeira temporada em 2012, vários cantores foram revelados, mas ainda não tivemos uma grande voz no país. Ninguém aconteceu, não explodiu, não tocou nas rádios. 




Então, ficam várias perguntas no ar: falta planejamento, de divulgação, e de talvez um maior comprometimento da emissora com os vencedores? 


O produtor Rick Bonadio, resolveu falar sobre o assunto em entrevista recente, e afirma que o que as emissoras buscam na verdade, é a audiência. 

"Um artista de reality nasceu na TV, então o primeiro lugar dele tem que ser em programas, nesse caso da Rede Globo. Tem que estar cantando em todas as atrações da casa. Mas o que tem acontecido é que os caras ficam vendidos, ganham e ficam esperando. Na realidade, as emissoras só estão preocupadas com a audiência, não com o sucesso do cara que ganhou. Deu audiência, já era", dispara o produtor Rick Bonadio.

Uma coisa muito importante em um reality é ter uma estratégia de lançamento para o vencedor. Os realities sempre têm contrato com gravadoras, mas como os artistas não são escolhidos pelos diretores delas, não existe um comprometimento de trabalharem esses caras", continua Bonadio, que, pra quem não sabe, é dono de uma gravadora, e também ex-jurado de realities musicais.

"Durante o programa, a gravadora já tem de analisar quem tem chances e buscar repertório, ir preparando alguns participantes para, assim que alguém ganhar, já ter as músicas, entrar em estúdio, lançar logo um single e fazer um disco rápido. Se não tem isso, o processo se dá com muita lentidão e acontece uma coisa muito grave, que é perder o timing do lançamento da pessoa que ganhou", completa o magnata brasileiro. 

Entretanto, parece que a falta de contéudo musical ou até mesmo os vencedores das atrações aqui no Brasil, recebem pouco apoio das emissoras. Quando termina o programa, eles participam apenas do “Encontro”, com a apresentadora Fátima Bernardes. Ou seja? Os demais programas da casa, não recebem os ganhadores do “The Voice Brasil”.

"Essa questão a gente ainda não entende. Mas. enfim, precisa de um planejamento bom. Ainda não desvendei isso", declarou Renato Vianna, vencedor da versão brasileira do The Voice em 2015.



O que aconteceu com Renato? Após quatro meses do fim de sua participação do reality da Globo, Vianna lançou um single, mas não explodiu. Exemplo real da falta de planejamento para a carreira, trocou de gravadora e até de estilo _mudou de gospel para sertanejo pop. 

Renato também chegou a lançar um CD em novembro de 2016, mas, não teve espaço na Globo para divulgar o seu trabalho. Só apareceu depois, no próprio The Voice, em setembro deste ano, fazendo um depoimento sobre sua experiência na atração. 

E nos Estados Unidos? A história se repete? Pra quem não sabe, o reality show é um formato importado da Holanda. O programa se tornou mais popular na versão norte-americana, e que se encontra no ar, desde 2011. Ainda por lá, poucos vencedores fazem sucesso na atração, e os que conseguem, são mais em seus nichos, como os artistas de música country. 

O que é um pouco diferente, é que nos Estados Unidos, a relação com as gravadoras é um pouco mais próxima . Vários participantes que não ganharam também atraem olhares das empresas e fecham negócio. Mas as questões do cuidado com o artista e de divulgação na mídia também deixam a desejar, por diversas vezes.


"Pelo fato de o The Voice ser da NBC, outras redes como CBS e ABC não vão convidar os artistas. As emissoras são tão competitivas entre si que [o vencedor] precisa não só do apoio de uma gravadora, mas da certeza de que a rede está ao seu lado e continuará além desse programa. Se a pessoa só pode participar do Today Show ou outra plataforma da NBC, fica limitada", disse um representante da gravadora Big Machine ao site Huffington Post. 

Os técnicos do The Voice norte-americano até tentam ajudar nas carreiras de seus pupilos e costumam manter contato com eles, mas ainda assim, não costuma ser tarefa fácil. 

"Após o The Voice, há problemas. Tem algumas questões sérias aí, a continuação disso é uma bagunça. Gravadoras estão ferrando com a nossa indústria da pior maneira. O programa termina e eles ficam: 'OK, eles [vencedores] não importam mais para mim'. Isso me deixa completamente irritado", disse Adam Levine, vocalista do Maroon 5 e técnico do The Voice, em entrevista ao programa de rádio de Howard Stern, em 2015.

Com tantos relatos sobre o que acontece após as finais do The Voice, mais uma pergunta: vale a pena participar da atração?

Mesmo com todos os problemas, tanto produtores quanto cantores, acreditam que ainda há vantagens de entrar na competição de reality shows musicais, que nos últimos anos têm perdido relevância na TV, com excesso de formatos e temporadas, de acordo com críticos. 

"Eu continuo achando que vale a pena o reality, dá uma experiência legal para os caras que participam e dá uma chance de serem vistos", comenta Rick Bonadio, que foi jurado de vários programas do gênero: Popstars (2002-2003), do Ídolos (2011), do Fábrica de Estrelas (2013) e do X Factor Brasil (2016). 

O cantor Renato Vianna também avaliou positivamente sua experiência no The Voice Brasil em 2015 (além de ainda ter guardada a maior parte do prêmio de R$ 500 mil que levou). "Um reality abre muitas portas, recursos pra investir na carreira, porque precisa de dinheiro, de pessoas do meio pra ajudar. Quem não tem visibilidade não tem isso. Pra mim foi bem legal", afirma o artista. 

Mas para o produtor Bonadio, se essas atrações quiserem continuar de pé, terão de mudar. Na opinião do magnata, é necessário mais comprometimento e investimentos pesados de todas as partes que estão envolvidas. 


"A partir do momento em que o cara sai do reality, ele passa a ser um artista que vai concorrer com todos os outros. O que precisa ter? Uma puta música boa, um hit. Precisa de um trabalho artístico, de marketing maciço, de os candidatos compositores mandarem músicas, de um trabalho da gravadora. A exposição sem conteúdo musical não resolve nada", declara Rick Bonadio.



O The Voice Brasil termina hoje a noite, na Globo. Qual será a nova voz brasileira? Será que vai emplacar? 

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